Perna com marcas de escleroterapia sendo preparada em clínica moderna

Já ouvi muitas dúvidas e curiosidades sobre a escleroterapia em conversas informais e durante consultas. A verdade é que, por trás do nome técnico, existe um procedimento seguro, eficaz e guiado por critérios bem definidos. Neste artigo, trago minha experiência pessoal e prática sobre o tema, descomplicando cada etapa do tratamento, os diferentes tipos, as indicações, o planejamento de sessões e, claro, dando espaço para tirar de vez muitos mitos que ainda rodeiam o assunto.

Entendendo a escleroterapia: o que é e quando é indicada

Costumo começar explicando da forma mais simples possível: escleroterapia é um tratamento médico usado para eliminar pequenas veias doentes, como varizes finas (microvarizes) e vasinhos, especialmente nas pernas. Ela pode ser feita com diversas técnicas que, em comum, buscam fechar o vaso sanguíneo de modo controlado e sem necessidade de cirurgia tradicional.

Se você já notou aquelas linhas roxas ou avermelhadas abaixo da pele, sabe do que estou falando. Essas são telangiectasias, popularmente conhecidas como “vasinhos”, e acontecem quando pequenas veias superficiais se dilatam, tornando-se visíveis. Muitas pessoas me procuram incomodadas, não apenas com o aspecto visual, mas também com sintomas como peso, formigamento ou leve ardência nas pernas.

Mas afinal, para quem a escleroterapia é indicada? Minhas observações mostram que ela serve principalmente para:

  • Tratamento estético de vasinhos e pequenas varizes nas pernas
  • Controle de sintomas leves relacionados a insuficiência venosa superficial
  • Casos em que há contraindicação à cirurgia clássica
  • Pessoas que buscam alternativas menos invasivas, com rápida recuperação

É fundamental deixar claro: não são todos os tipos de varizes que podem ser tratados com escleroterapia. Para veias mais calibrosas ou quadros avançados, pode ser necessário outro manejo terapêutico.

Cada caso é único e exige avaliação individualizada.

Tipos de escleroterapia: líquida, espuma e laser

Ao longo dos anos, as técnicas mudaram bastante – e isso ampliou as possibilidades de tratamento.

Escleroterapia líquida

É a forma mais tradicional, que utilizo há bastante tempo. Consiste na aplicação de uma substância esclerosante, geralmente polidocanol ou glicose, diretamente dentro do vaso. Essa substância irrita a parede interna, levando ao fechamento do vasinho.

Gosto da escleroterapia líquida para vasinhos bem fininhos e superficiais. Ela é segura, com baixo risco de efeitos colaterais, e pode ser realizada de maneira rápida em consultório, com agulhas bem finas.

Escleroterapia com espuma densa

Essa variação transformou o manejo de casos mais complexos. O método consiste em misturar o esclerosante com ar ou outro gás, formando uma “espuma” que preenche melhor veias de maior diâmetro. Faço uso dessa técnica principalmente em pequenas varizes reticulares (aquelas veias verdes-azuladas mais grossas, porém superficiais) e até mesmo em varizes calibrosas selecionadas, sempre sob avaliação minuciosa.

A vantagem é a possibilidade de tratar vasos maiores que os da técnica líquida, além de aumentar a eficácia do procedimento. Porém, a aplicação exige experiência e cuidado para evitar que a espuma chegue ao sistema profundo.

Laser transdérmico

O tratamento com laser vem ganhando espaço, especialmente entre pacientes que desejam evitar agulhas. O equipamento gera um feixe de luz muito específico, que atravessa a pele e “queima” o vasinho, levando ao seu colapso.

Utilizo muito o laser transdérmico para as menores telangiectasias, principalmente em áreas onde a agulha seria difícil ou desagradável, como ao redor dos tornozelos ou em vasinhos resistentes a outras técnicas. Em alguns casos, combino o laser com a escleroterapia líquida para potencializar o efeito.

Outras técnicas associadas

Com mais tempo de prática, percebi que os melhores resultados muitas vezes vêm da combinação inteligente de técnicas. Aplicar o laser em conjunto com a escleroterapia líquida ou com espuma amplia as chances de eliminar completamente as veias visíveis.

A escolha da técnica depende do tipo, calibre e localização dos vasos.

A avaliação médica e exames prévios

Nunca deixo de insistir: o sucesso do tratamento começa com uma avaliação detalhada, feita em consulta pelo médico vascular. Não se trata apenas de olhar para as pernas; preciso conhecer os sintomas, o histórico familiar, fatores de risco, usos de medicações e hábitos de vida.

Em seguida, o ecocolordoppler vascular entra como um aliado indispensável. Esse exame de imagem mostra o funcionamento das veias por dentro, identifica refluxos, trombos ocultos e avalia a anatomia do sistema venoso. Em alguns casos, quando os vasinhos parecem isolados e não há suspeita de doença venosa mais grave, dispenso o exame, mas, na dúvida, prefiro ser cauteloso.

O planejamento do tratamento é feito com base em:

  • Quantidade e distribuição dos vasinhos/varizes
  • Calibre dos vasos visíveis
  • Sintomas referidos pelo paciente
  • Resultados do ecocolordoppler, quando indicado
  • Expectativas e objetivos (estéticos x sintomas)
Avaliação precisa é o primeiro passo para o sucesso do procedimento.

Como é a sessão de escleroterapia: passo a passo do procedimento

Quem nunca viu o procedimento de perto costuma imaginar algo muito mais complexo do que realmente é. Compartilho abaixo o fluxo típico de uma sessão, com base na experiência acumulada nos atendimentos práticos.

  1. Preparo local: Limpo bem a região das aplicações para evitar qualquer risco de infecção.
  2. Marcação dos vasinhos: Em alguns casos, destaco com caneta própria os principais vasos a tratar. Isso ajuda bastante, especialmente em áreas com muitos vasinhos entrecruzados.
  3. Aplicação do esclerosante: Utilizo seringas especiais, de volume pequeno, e agulhas extremamente finas. A substância é injetada lentamente dentro do vasinho selecionado.
  4. Massagem local: Após cada aplicação, massageio o local para distribuir bem o medicamento e evitar acúmulo.
  5. Compressão: Frequentemente recomendo uso de curativos ou meias elásticas logo após finalizar a sessão.

A duração da sessão varia muito, mas raramente ultrapassa 30 a 40 minutos. Afinal, prefiro dividir o tratamento em várias sessões menores, para maior segurança e melhor experiência do paciente.

O objetivo é eliminar o maior número de vasos visíveis com máximo conforto.

Quantidade de sessões necessárias: existe uma regra?

Essa é, disparado, uma das perguntas que mais ouço no consultório: “Quantas sessões terei que fazer até eliminar todos os vasinhos?”. A resposta é simples, porém com nuances:

A quantidade de sessões varia de acordo com o caso e nunca segue uma regra fixa.

Alguns fatores interferem diretamente no número de sessões:

  • Quantidade de vasinhos e varizes: Pacientes com muitos vasos precisarão de mais encontros.
  • Tipo de vaso: Telangiectasias muito fininhas respondem mais rápido que varizes reticulares ou vasos maiores.
  • Reatividade individual: Há pessoas que eliminam os vasinhos rapidamente, enquanto outras precisam de um tratamento mais prolongado.
  • Objetivo do tratamento: Se a ideia for apenas melhorar sintomas, posso programar menos sessões. Para apagar tudo, o tratamento tende a ser mais longo.
  • Presença de doenças associadas: Condições como insuficiência venosa mais avançada podem complicar e alongar o processo.

Na minha prática, costumo programar em média de três a seis sessões para tratamentos estéticos simples, com intervalos de uma a quatro semanas entre elas. Em casos mais extensos, esse número pode chegar a dez ou até mais sessões.

É importante ressaltar que a escleroterapia trata os vasos existentes – não previne o surgimento de novos vasinhos. Por esse motivo, pacientes com tendência genética podem necessitar de sessões esporádicas de manutenção ao longo dos anos.

O acompanhamento regular é a chave para resultados duradouros.

Cuidados após a escleroterapia: o que é recomendado?

Logo depois de concluir cada sessão, oriento os cuidados para um pós-procedimento tranquilo e otimização de resultados. Os principais pontos que partilho com meus pacientes são:

  • Uso de meias elásticas de compressão: Recomendo a utilização por pelo menos 2 a 7 dias após o tratamento, pois ajuda a comprimir os vasos tratados e favorece sua absorção.
  • Atividades físicas leves: Caminhadas são incentivadas quase imediatamente, pois movimentar as pernas auxilia a circulação.
  • Evitar calor excessivo: Saunas, banhos quentes prolongados e exposição solar direta nas áreas tratadas devem ser evitados nos primeiros dias.
  • Protetor solar: Indispensável para prevenir o escurecimento temporário das manchas ao longo do processo de absorção dos vasinhos.
  • Não coçar nem manipular as áreas tratadas: Isso reduz o risco de manchas e inflamações leves.

Sempre aviso: o retorno às atividades habituais costuma ser rápido. A maioria das pessoas volta ao trabalho já no dia seguinte, sem limitação significativa.

O pós é simples, mas faz toda a diferença na qualidade do resultado.

Efeitos colaterais e o que esperar no pós-procedimento

A segurança da escleroterapia é um ponto forte. Contudo, como todo procedimento médico, podem surgir efeitos leves, temporários e facilmente manejados.

O que observo como mais frequente:

  • Pontinhos arroxeados ou avermelhados (hematomas): Costumam ser pequenos e desaparecem em até 15 dias.
  • Escurecimento de áreas tratadas (hiperpigmentação): É passageiro, ocorrendo em cerca de 10 a 20% dos casos, e se resolve gradualmente em poucos meses.
  • Coceira ou sensação de queimação: Breve e localizada, aliviada com compressas frias.
  • Pequenas áreas endurecidas: Isso pode ocorrer quando há acúmulo de sangue coagulado. Em geral, regride espontaneamente ou pode ser drenado em consultório.
  • Raramente, reações alérgicas: São exceção, especialmente com uso de esclerosantes modernos.

Ao perceber algum efeito que gere desconforto importante, oriento buscar a reavaliação médica, mas felizmente situações mais graves são extremamente incomuns na rotina ambulatorial.

Esclarecer o que é esperado diminui a ansiedade do paciente.

Mitos e verdades sobre a escleroterapia

Desde que comecei a tratar vasinhos, colecionei mitos repetidos à exaustão. Selecionei os principais, com base naquilo que mais aparece entre dúvidas de conhecidos e pacientes:

  • “Dói muito?” A grande maioria das pessoas sente apenas um leve desconforto, comparável a uma picada de mosquito.
  • “Os vasinhos nunca mais voltam?” Os vasinhos tratados somem, mas outros podem aparecer ao longo dos anos se houver tendência genética ou exposição a fatores de risco.
  • “O tratamento afina o sangue?” Não. O produto age localmente, sem alterar a coagulação sistêmica.
  • “Posso me expor ao sol logo após?” Recomendo evitar sol direto nos primeiros 15-30 dias para prevenir manchas.
  • “Gestantes podem tratar vasinhos?” Por precaução, normalmente postergamos o tratamento em gestantes e lactantes.
  • “A escleroterapia pode causar trombose?” O risco é mínimo em pessoas saudáveis quando o procedimento é realizado por profissional qualificado.
Mitos confundem, informação clara acalma.

Diferença entre objetivo estético e terapêutico

Eu sempre pergunto ao paciente: “Você sente incômodo visual, sintomas físicos ou os dois?”. Essa resposta define uma parte importante do tratamento.

Quando o objetivo é estético, a meta é apagar o máximo de vasinhos visíveis, prezando por aparência e autoconfiança.

Quando há queixas clínicas (peso nas pernas, ardência, inchaço leve), a abordagem foca na melhora do desconforto e promoção da qualidade de vida. Às vezes, ambos os objetivos se misturam e ajusto a estratégia para alcançar o equilíbrio entre bem-estar e beleza.

Essa diferenciação também repercute diretamente na expectativa em relação ao número de sessões e ao grau de exigência no resultado final.

Por que o acompanhamento com cirurgião vascular faz a diferença?

Muita gente acredita que se trata de procedimento simples o suficiente para dispensar qualquer cuidado, mas minha vivência mostra justamente o contrário. O treinamento, o olhar clínico e o domínio das técnicas só vêm com formação adequada e experiência acumulada.

A atuação do médico especializado garante não apenas a execução correta, mas também:

  • Identificação de possíveis contraindicações ou doenças associadas
  • Escolha adequada do tipo de escleroterapia e das técnicas combinadas
  • Planejamento preciso do tratamento e do número de sessões
  • Orientações individualizadas de pré e pós-procedimento
  • Monitoramento de eventuais efeitos colaterais e condutas específicas se necessário
  • Prevenção de recidivas (reaparecimento dos vasinhos) com manutenção regular
Confiança e segurança andam juntas em cada etapa do tratamento.

Quando a escleroterapia não é indicada?

Existem situações em que prefiro evitar o procedimento ou buscar alternativas. Entre os principais motivos de contraindicação, destaco:

  • Gestação e amamentação (por precaução e ausência de estudos robustos na população)
  • Infecção ativa na área de aplicação
  • Quadros de trombose venosa profunda recente
  • Alergia comprovada aos produtos esclerosantes
  • Doença arterial grave ou alterações dermatológicas na região

Nesses casos, avalio alternativas e reforço a necessidade de acompanhamento periódico, para nova tentativa após reversão do quadro impeditivo.

Resultados, duração e manutenção dos ganhos

Os resultados da escleroterapia despontam gradualmente ao longo das semanas após o procedimento. Normalmente, entre 15 e 60 dias já se percebe melhora significativa.

A duração dos ganhos depende de múltiplos fatores, mas, com os devidos cuidados e acompanhamento periódico, observo resultados que perduram por anos.

  • Manter peso saudável
  • Praticar atividade física regularmente
  • Evitar exposição contínua ao calor
  • Usar meias elásticas conforme orientação
  • Fazer sessões de manutenção quando indicado

À medida que novos vasinhos surgem, pequenas sessões anuais ou semestrais podem ser recomendadas – essa estratégia ajuda muito a preservar o efeito visual desejado e maior prazer ao expor as pernas.

Cuidar das veias é um projeto contínuo de bem-estar.

Considerações finais

Para quem busca eliminar vasinhos incômodos ou pequenas varizes, posso afirmar que as técnicas atuais de escleroterapia são uma solução eficaz, acessível e segura. A individualização do tratamento, aliada à escolha correta do método e ao acompanhamento de um especialista, fazem toda a diferença no sucesso do tratamento e evita frustrações futuras.

Minha experiência me mostrou que o número de sessões e os resultados dependem de múltiplos fatores, sendo cada paciente único. Investir em avaliação criteriosa e seguir orientações ao longo das etapas do tratamento é a melhor maneira de conquistar pernas mais leves, bonitas e saudáveis.

Saúde vascular é sinônimo de qualidade de vida.

Se você se identificou com algum dos pontos abordados ou tem dúvidas sobre vasinhos e o tratamento com escleroterapia, nunca hesite em buscar orientação técnica. O acompanhamento é fundamental para um resultado bonito, duradouro e, principalmente, seguro.

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Dr. Fábio Buzatto

Sobre o Autor

Dr. Fábio Buzatto

Dr. Fábio Buzatto é Cirurgião Vascular e Angiologista reconhecido em Vitória, ES, dedicado ao diagnóstico e tratamento de doenças vasculares. Com vasta experiência e foco na humanização do atendimento, utiliza as mais modernas tecnologias para oferecer soluções eficazes para problemas como varizes, trombose e má circulação, sempre priorizando o respeito e a qualidade de vida de seus pacientes.

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